Poeta Camilo Martins


26/10/2017


Águia...


 

Não faz muito tempo, eu era apenas um menino...

Quando apareciam na primavera as lindas flores,

Eu nunca via nas pétalas as suas suaves cores,

As cigarras anunciando o verão, folhas caindo...

 

E lá se vão as águias, sem rumo, sem destino!

Hoje, as cigarras não mais anunciam o verão...

Enquanto estouram em plena primavera e o fino

E tênue fio que nos separa me corta o coração!

 

Eu sou tal qual essa cigarra inata em primavera,

Que anuncia um final de ciclo que não se finda...

Minha esperança hoje é apenas uma vã quimera!

 

Sim, quisera eu ser aquele mesmo menino ainda...

Fracos laços me sustentam e o fim já se aproxima,

Na vasta escuridão da noite... Em temeroso clima.

 

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 23.11.2015

16h21min [Tarde]

Estilo: Soneto

  

 

 

Escrito por Poeta Camilo Martins às 11h36
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Escrito por Poeta Camilo Martins às 11h18
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Escrito por Poeta Camilo Martins às 11h00
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16/03/2017


Antes...

 

Tive que abrir uma janela no meu coração,

Antes que eu enlouqueça...

Olhando para fora é tudo flores, mil amores!

 

Quando a fecho é brilho e manhã que se desfaz,

E eu chorando a cicatriz do nosso amor...

Antes que eu enlouqueça!

 

Fazes-me mal, não quero ver-te e nem perder-te!

Antes que eu enlouqueça...

Já perdi a minha paz só em pensar em querer-te.

 

Como pode, falso brilho em olhos tão brilhantes?

Ai, essa teimosa lua dos amantes, brilha...

Antes que eu enlouqueça!

 

Lágrimas do passado em grossas e ácidas gotas,

Antes que eu enlouqueça...

Vão caindo, destruindo e não regando o amor!

 

Quanta dor e solidão, meu bem... Sentimentos,

Numa profunda e angustiosa espera...

Antes que eu enlouqueça!

 

Mas te amarei sempre, até o meu último suspiro!

Antes que eu enlouqueça...

A dor é companheira e a morte será a libertação.

 

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 07.02.2017

13h14min [Tarde]

Estilo: Livre

Escrito por Poeta Camilo Martins às 21h30
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Declamei teu coração...

 

                                       

Eu sei, amor, do fundo do meu calabouço de solidão,

Eu vi que as minhas poucas feridas são mais fortes

Do que as muitas cicatrizes da alma e do teu coração.

Eu as tenho por puro amor e não jogando por sortes...

 

Fico aqui sem uma viva alma ao meu redor, brigando

Com meus fantasmas e respirando tua imagem viva,

A cada momento te chamo em pensamento, vagando

Em nostalgia e ébrio de um amor que só se esquiva...

 

Declamo para mim mesmo o teu coração, estranho,

Durmo e novamente... Pensando em ti me apanho!

Não temo o surto psicótico e nem a minha loucura...

 

O que temo é o remédio... Que nem assim me cura!

Já reparei as rugas no meu rosto, de puro sofrimento,

E sigo teu coração declamando até o último momento.

 

Poeta Camilo Martins

Aqui, Hoje, 27.05.2016

10h40min [Manhã]

Estilo: Soneto

Escrito por Poeta Camilo Martins às 21h24
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Verdade


 

Eras, em outros tempos, a flor mais cheirosa,

Estavas lá, sempre linda, no meu belo jardim!

À luz da lua e das estrelas eu via teus olhos...

Castanhos, a amenizar minha vida de abrolhos!

 

Meu chão desapareceu quando a mim dissestes,

Eu não sou o teu amor... Sou apenas tua amiga!

Se por séculos eu te fiz poesia, fiz pra ti cantiga...

Em que momento da vida esse amor desfizestes?!

 

Tu que chegaste a declarar amor pra mim, eterno...

Não importava a circunstancia da vida, a estação,

Fosse no verão, outono, primavera ou no inverno!

 

Deixastes triste todo o meu ser, alma e coração,

Nunca mais quis de ti saber e não mais quererei...

Assim em santa paz, quem sabe então eu morrerei!

 

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 20.02.2017

18h32min [Noite]

Estilo: Soneto

Escrito por Poeta Camilo Martins às 21h21
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02/07/2016


God


 

Tudo o que eu tinha de amar eu já amei...

A solidão desgraçadamente me alcançou!

Passei a chorar como nunca na vida chorei...

Sem rumo sinto que o céu não me abençoou!

                                                                                                  

Viver sem prazer não é viver, isso sim eu sei...

Minha mágoa persiste e logo me enlouquece!

A vida assim não foi o que eu sempre pensei...

Morri, veja se enfim tu pensas que me esquece!

 

Ando de mim mesmo, com medo me escondendo,

Em introspecção profunda angustiosamente vivo...

Deus, onde foi parar minha paz que tanto preciso?

 

Amores de minha vida inteira que foram se perdendo,

E eu a esperar em vão algum momento de alegria...

Sem pesar os motivos da alma está assim... Tão fria!

 

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 28.06.2016

11h28min [Manhã]

Estilo: Soneto                                                         

                                                                                

Escrito por Poeta Camilo Martins às 21h18
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Prision


 

Estou escravo de um amor assaz infecundo...

Sou o mais infeliz dos infelizes deste mundo!

Se não posso ter o teu amor, por mero castigo,

Não quero nunca ser somente, amor, teu amigo.

 

Prefiro a doce solidão, como amargo sentimento,

Do que desfrutar da companhia do sofrimento...

Posto que sou rio transbordando de amargura!

E a mente transtornada dos gritos de loucura...

 

A pior prisão, meu bem, é a prisão em si mesmo!

Tudo se desfaz... E é preciso consertar a desmo!

A dor, o trauma, a ferida... Tudo pode cicatrizar...

 

Mas a alma fica a eternidade inteira sem mais amar!

Sofrida vida, desiludida, expiando em amarga dor...

Passou pela vida, não viveu a intensidade do amor.

 

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 29.06.2016

08h55min [Manhã]

Estilo: Soneto

                                  

 

 

 

Escrito por Poeta Camilo Martins às 21h17
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Era ela...



 

Ouvi teus passos, em plena madrugada,

Olhei-te e na minha visão estagnada...

Fiquei atônito fixando o olhar na silueta,

Cabelos lisos, rosto angelical, vi a ampulheta,

 

Percebi o tempo... Amei tua virtude de amor!

Tive desejos, confesso, te abraçar, te beijar...

Foi intenso, afagar teu rosto, sentir o teu calor!

Na mansidão da noite, brisa mansa e o luar...

 

Quanto horizonte, amor, em teu corpo a explorar!

Sem malícias, nas carícias e o desejo a atormentar,

Mergulhar em teus pensamentos, tão distantes...

 

Por que teus olhos têm que ser assim, ofuscantes?!

Vai a iluminação do meu caminho se apagando...

E pouco a pouco vou a mim mesmo enganando!

 

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 23.06.2016

09h15min [Manhã]

Estilo: Soneto

Escrito por Poeta Camilo Martins às 21h12
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Tudo se vai...


 

Num piscar de olhos,

No alvorecer,

 

         Ou entardecer,

         Tudo logo se vai...

 

Na tempestade,

Vento calmo...

 

          No transbordar das águas,

          Na terrível seca...

 

Tudo se vai,

Na pressa...

 

          Na brutal guerra,

          No tempo de paz...

 

No caminho,

E no espinho...

 

          No ninho do passarinho,

          Na perspicácia da serpente!

 

No expirar,

Se vai a vida...

 

          É questão de tempo,

          E tudo se vai.

 

 

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 18.11.2015

20h12min [Noite]

Estilo: Livre

 

         

 

Escrito por Poeta Camilo Martins às 21h00
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Rio Parnaíba



 

Ah, meu rio que descansa em plácido leito...

Majestosamente vai ao seu delta deslizando!

Trago a doce marca da saudade no meu peito,

Dos tempos em que em ti vivia mergulhando...

 

As coroas, lá no meio, palmeiras do outro lado,

Em poucas braçadas eu ia do Piauí ao Maranhão...

Nadando, enfrentando a correnteza e tu calado!

Nada dizias, apenas me banhavas, quanta emoção!

 

Rio Parnaíba, rio solidão, rio da minha vida inteira,

Trago no meu corpo as marcas do meu amor por ti...

Quanta água de ti sorvi, mergulho de criança arteira!

 

Hoje, as imagens do teu encontro com o Rio Poty...

Povoam minha mente com recordações e a saudade

Que outrora boa, vai ficando triste rumo a eternidade.

 

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 21.12.2015

09h05min [Manhã]

Estilo: Soneto

Escrito por Poeta Camilo Martins às 20h55
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Águia...


 

Não faz muito tempo, eu era apenas um menino...

Quando apareciam na primavera as lindas flores,

Eu nunca via nas pétalas as suas suaves cores,

As cigarras anunciando o verão, folhas caindo...

 

E lá se vão as águias, sem rumo, sem destino!

Hoje, as cigarras não mais anunciam o verão...

Enquanto estouram em plena primavera e o fino

E tênue fio que nos separa me corta o coração!

 

Eu sou tal qual essa cigarra inata em primavera,

Que anuncia um final de ciclo que não se finda...

Minha esperança hoje é apenas uma vã quimera!

 

Sim, quisera eu ser aquele mesmo menino ainda...

Fracos laços me sustentam e o fim já se aproxima,

Na vasta escuridão da noite... Em temeroso clima.

 

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 23.11.2015

16h21min [Tarde]

Estilo: Soneto

Escrito por Poeta Camilo Martins às 20h48
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Não mesmo


 

No princípio era o vento e o vento me deixava louco,

Ia a lugares que eu não desejava, mas me levava...

Minhas fantasias eu simplesmente não dominava!

Não, eu não sou assim tão puro, espere um pouco...

 

Aquele vento do princípio era que me enlouquecia,

Porque tu eras a única mulher de minha fantasia...

E a ausência de minha alma em mim era ocupada

Por tua presença, dentro de tua vida consagrada...

 

Não quero magoar teu coração que vejo, é puro!

Mas o vento da minha solidão é que me empurra...

Não tenho forças em mim, amor, não me seguro!

 

Meu desejo é forte, assim como um leão que urra...

No principio do vento, a loucura de um ser sem rumo,

Seguindo teu aroma, quero o princípio do teu plumo...

 

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 02.07.2016

11h25min [Manhã]

Estilo: Soneto

Escrito por Poeta Camilo Martins às 20h42
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26/11/2015


 

 

 

Imagens


 

Maquiagem perfeita de

Florestas desnudas,

Lagos imperfeitos de

Águas reluzentes,

Ao sol que nada

Alumia ao anoitecer,

Lamentações de uma

Lua refulgente e bela!

 

Quero a tua aréola,

Que me faz santo...

Olho a imagem dela,

Na lucidez do álcool!

Quem sabe estrelas

Ao nascer dos sois,

De todas as nossas

Derradeiras lágrimas!

 

Choro logo ao te ver,

Obscuras memórias,

E o frio que me assola,

É o mesmo que consola!

E os asteroides debiloides,

Seguem desorbitados!

Fico a sorrir ao te perder,

Loucuras que não percebo!

 

Imagens que me apedrejam,

Lamentos da memória...

Palavrões que povoam

As mentes mentirosas!

Nuvens que vão passando,

Mas não levam tua desventura!

Contra mão de muitas vias,

Corações que não se amam.

 

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 29.07.2015

21h39min [Noite]

Estilo: Versos livres em oitavas

 

 

 

 

 

 

Escrito por Poeta Camilo Martins às 17h56
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enailE


 

Depois de muitos anos sem te ver...

De repente, estavas em minha frente!

O teu olhar era o mesmo e descrever

O teu sorriso... Estava bem diferente.

 

Olhei-te por horas... Senti tua agonia...

A felicidade passou léguas de distancia!

Pensei em tempos passados com ironia,

Quando me olhavas com tua arrogância.

 

Eu apenas quis um abraço mesmo assim,

Suavizar tua dor, toda a amargura da alma...

Por vezes pensei no teu sofrimento, pra mim,

 

Era como se fosse o meu coração sem calma!

Pobre sentimento envelhecido... Doce amor!

Linda vida... Sobrevivendo sem o meu calor.

 

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 24.10.2015

22h09min [Noite]

Estilo: Soneto

Escrito por Poeta Camilo Martins às 17h53
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BRASIL, Sudeste, ARTUR NOGUEIRA, Centro, Homem, de 46 a 55 anos, Portuguese, English, Arte e cultura, Livros
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