Poeta Camilo Martins


02/07/2016


God


 

Tudo o que eu tinha de amar eu já amei...

A solidão desgraçadamente me alcançou!

Passei a chorar como nunca na vida chorei...

Sem rumo sinto que o céu não me abençoou!

                                                                                                  

Viver sem prazer não é viver, isso sim eu sei...

Minha mágoa persiste e logo me enlouquece!

A vida assim não foi o que eu sempre pensei...

Morri, veja se enfim tu pensas que me esquece!

 

Ando de mim mesmo, com medo me escondendo,

Em introspecção profunda angustiosamente vivo...

Deus, onde foi parar minha paz que tanto preciso?

 

Amores de minha vida inteira que foram se perdendo,

E eu a esperar em vão algum momento de alegria...

Sem pesar os motivos da alma está assim... Tão fria!

 

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 28.06.2016

11h28min [Manhã]

Estilo: Soneto                                                         

                                                                                

Escrito por Poeta Camilo Martins às 21h18
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Prision


 

Estou escravo de um amor assaz infecundo...

Sou o mais infeliz dos infelizes deste mundo!

Se não posso ter o teu amor, por mero castigo,

Não quero nunca ser somente, amor, teu amigo.

 

Prefiro a doce solidão, como amargo sentimento,

Do que desfrutar da companhia do sofrimento...

Posto que sou rio transbordando de amargura!

E a mente transtornada dos gritos de loucura...

 

A pior prisão, meu bem, é a prisão em si mesmo!

Tudo se desfaz... E é preciso consertar a desmo!

A dor, o trauma, a ferida... Tudo pode cicatrizar...

 

Mas a alma fica a eternidade inteira sem mais amar!

Sofrida vida, desiludida, expiando em amarga dor...

Passou pela vida, não viveu a intensidade do amor.

 

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 29.06.2016

08h55min [Manhã]

Estilo: Soneto

                                  

 

 

 

Escrito por Poeta Camilo Martins às 21h17
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Era ela...



 

Ouvi teus passos, em plena madrugada,

Olhei-te e na minha visão estagnada...

Fiquei atônito fixando o olhar na silueta,

Cabelos lisos, rosto angelical, vi a ampulheta,

 

Percebi o tempo... Amei tua virtude de amor!

Tive desejos, confesso, te abraçar, te beijar...

Foi intenso, afagar teu rosto, sentir o teu calor!

Na mansidão da noite, brisa mansa e o luar...

 

Quanto horizonte, amor, em teu corpo a explorar!

Sem malícias, nas carícias e o desejo a atormentar,

Mergulhar em teus pensamentos, tão distantes...

 

Por que teus olhos têm que ser assim, ofuscantes?!

Vai a iluminação do meu caminho se apagando...

E pouco a pouco vou a mim mesmo enganando!

 

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 23.06.2016

09h15min [Manhã]

Estilo: Soneto

Escrito por Poeta Camilo Martins às 21h12
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Tudo se vai...


 

Num piscar de olhos,

No alvorecer,

 

         Ou entardecer,

         Tudo logo se vai...

 

Na tempestade,

Vento calmo...

 

          No transbordar das águas,

          Na terrível seca...

 

Tudo se vai,

Na pressa...

 

          Na brutal guerra,

          No tempo de paz...

 

No caminho,

E no espinho...

 

          No ninho do passarinho,

          Na perspicácia da serpente!

 

No expirar,

Se vai a vida...

 

          É questão de tempo,

          E tudo se vai.

 

 

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 18.11.2015

20h12min [Noite]

Estilo: Livre

 

         

 

Escrito por Poeta Camilo Martins às 21h00
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Rio Parnaíba



 

Ah, meu rio que descansa em plácido leito...

Majestosamente vai ao seu delta deslizando!

Trago a doce marca da saudade no meu peito,

Dos tempos em que em ti vivia mergulhando...

 

As coroas, lá no meio, palmeiras do outro lado,

Em poucas braçadas eu ia do Piauí ao Maranhão...

Nadando, enfrentando a correnteza e tu calado!

Nada dizias, apenas me banhavas, quanta emoção!

 

Rio Parnaíba, rio solidão, rio da minha vida inteira,

Trago no meu corpo as marcas do meu amor por ti...

Quanta água de ti sorvi, mergulho de criança arteira!

 

Hoje, as imagens do teu encontro com o Rio Poty...

Povoam minha mente com recordações e a saudade

Que outrora boa, vai ficando triste rumo a eternidade.

 

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 21.12.2015

09h05min [Manhã]

Estilo: Soneto

Escrito por Poeta Camilo Martins às 20h55
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Águia...


 

Não faz muito tempo, eu era apenas um menino...

Quando apareciam na primavera as lindas flores,

Eu nunca via nas pétalas as suas suaves cores,

As cigarras anunciando o verão, folhas caindo...

 

E lá se vão as águias, sem rumo, sem destino!

Hoje, as cigarras não mais anunciam o verão...

Enquanto estouram em plena primavera e o fino

E tênue fio que nos separa me corta o coração!

 

Eu sou tal qual essa cigarra inata em primavera,

Que anuncia um final de ciclo que não se finda...

Minha esperança hoje é apenas uma vã quimera!

 

Sim, quisera eu ser aquele mesmo menino ainda...

Fracos laços me sustentam e o fim já se aproxima,

Na vasta escuridão da noite... Em temeroso clima.

 

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 23.11.2015

16h21min [Tarde]

Estilo: Soneto

Escrito por Poeta Camilo Martins às 20h48
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Não mesmo


 

No princípio era o vento e o vento me deixava louco,

Ia a lugares que eu não desejava, mas me levava...

Minhas fantasias eu simplesmente não dominava!

Não, eu não sou assim tão puro, espere um pouco...

 

Aquele vento do princípio era que me enlouquecia,

Porque tu eras a única mulher de minha fantasia...

E a ausência de minha alma em mim era ocupada

Por tua presença, dentro de tua vida consagrada...

 

Não quero magoar teu coração que vejo, é puro!

Mas o vento da minha solidão é que me empurra...

Não tenho forças em mim, amor, não me seguro!

 

Meu desejo é forte, assim como um leão que urra...

No principio do vento, a loucura de um ser sem rumo,

Seguindo teu aroma, quero o princípio do teu plumo...

 

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 02.07.2016

11h25min [Manhã]

Estilo: Soneto

Escrito por Poeta Camilo Martins às 20h42
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